Reflexão do dia 22 de agosto
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Esta constante quebra das promessas a meus filhos

Minha mãe morreu quando eu tinha doze anos, e eu costumava pensar que a minha vida teria sido diferente se ela tivesse vivido. Agora, porém, acredito que o meu problema era parte de mim mesma, já naquele tempo. Eu estava cheia de sentimentos de inferioridade era extremamente tímida. Meu pai fez o melhor possível, educando a mim e às minhas duas irmãs menores, mantendo a família unida até que fosse à faculdade; e nessa ocasião enviou também minhas irmãs a um internato.

Lembro bem do tremendo medo que se apossou de mim quando meu pai se preparava para deixar-me na faculdade. Eu simplesmente sabia que não conseguiria travar conhecimento com toda aquela gente. Ao chegar lá era uma desajustada e já me sentia como tal. E assim os meus anos na faculdade foram de mágoas, rejeição e ansiedade.

Apesar de tudo, acabei me casando. Meu marido era um bonitão, e então eu pensei que perderia os temores e a ansiedade que sentia diante de outras pessoas. Infelizmente, esta expectativa só se realizava quando eu bebia alguma coisa. Na faculdade havia aprendido que um golinho ou dois, tornavam possível a comunicação entre as pessoas; três bebidas até me faziam esquecer que eu não era bonita!

Tivemos filhos, e eles significavam tudo no mundo para mim. Não obstante, eu costumava acordar horrorizada, percebendo que havia dirigido o carro por toda parte, completamente apagada e com as crianças.

Em seguida meu marido ficou muito doente. Sozinha e assustada, eu agora precisava beber, mesmo com meus filhos - e agora também o meu marido - dependendo de mim.

Mudamos então para um cidadezinha em Massachusetts, indo morar com os pais de meu marido. Eu esperava que um círculo social inteiramente novo fosse resolver o meu problema. Não resolveu.

Posso garantir que um meio de você não se tornar a pessoa mais querida de sua sogra é embriagar-se em público, numa comunidade pequena.

Nossa mudança seguinte foi para uma antiga casa de campo, difícil de manter aquecida e em ordem. Meu marido viajava com freqüência, e a partir daí, minhas bebedeiras progrediam cada vez mais.

Certa noite, fui a um bar a alguns quilômetros de casa, deixando meu filho, então com onze anos, tomando conta de suas irmãs menores. Levei comigo uma vizinha, senhora já idosa. Um dos homens que estava no bar ofereceu-se para dirigir o meu carro de volta à casa, mas eu lhe respondi agressivamente, que era capaz de fazê-lo. Quando estava perto de casa, aumentei a velocidade do carro e bati em um pilar. Os olhos de minha vizinha ficaram roxos.

Sem que eu tivesse notado, o homem que havia se oferecido levar-nos para casa nos seguira. Providenciou que o carro fosse retirado da valeta e colocado no meio da entrada de nossa garagem. Naturalmente, convidei-o para tomar alguma coisa. Ele não se demorou em casa e, quando saiu, subi as escadas para encontrar meu filho, que estava sentado ao lado da válvula do aquecedor, apontando sua espingarda passarinheira para baixo, através do radiador.

"O que você está fazendo, pelo amor de Deus?", perguntei. "Eu não sabia, mamãe", respondeu-me ele, "mas pensei que talvez estivesse precisando de ajuda." Pensei então que nesta hora eu havia chegado ao fundo do poço. Acredito existir algum fator que nos motive a querer ficar sóbrios, e tenho certeza, que para mim, este fator foram os meus filhos.

Jamais esquecerei a festa do quarto aniversário de minha filhinha. Quando chegou o dia, as mães trouxeram as crianças convidadas. Olharam para mim e foram embora. Estava tão bêbada que elas não se arriscaram a deixar seus filhos sozinhos em minha companhia.

Foi esta constante quebra das promessas feitas a meus filhos que me levou a reconhecer, finalmente, que não podia continuar a conviver comigo mesma, e então procurei A. A. pedindo ajuda. Assim como a maioria das outras pessoas, estava cheia dos preconceitos habituais sobre o que eu encontraria quando fosse lá. Imaginava que todos os alcoólicos fossem vagabundos de sarjeta. Fiquei surpresa, em minha primeira reunião, ao reconhecer entre os presentes, pessoas que eu sabia serem membros respeitados das igrejas.

O mais importante, quando entrei pela primeira vez numa reunião de A. A., foi a maravilhosa sensação de "pertencer". Conversando com as pessoas de lá, descobri que eu não era a única no mundo a ter feito o tipo de coisas que eu fizera, machucando aqueles a quem eu mais amava. Apavorava-me a idéia de que eu estivesse enlouquecendo. Fiquei agradecida por aprender que o alcoolismo é uma doença tríplice, que eu estivera doente, mental, física e espiritualmente.

Durante os meus primeiros anos em A. A., tive dificuldades em freqüentar as reuniões  regularmente. As crianças eram pequenas, e nem sempre conseguia encontrar alguém que ficasse com elas. Não obstante, apaixonei-me por A. A. logo na primeira reunião, e de alguma forma, já sabia que neste programa iria encontrar as respostas que buscava.

Se bem que eu não tenha encontrado todas as respostas de uma só vez, venho encontrando-as aos poucos. No início, eu era tímida, tão retraída e acanhada e estava tão envolta em mim mesma, que tinha muita dificuldade em estender os braços e segurar a mão da amizade, que tão generosamente me era oferecida.

Com o tempo, através dos Doze Passos de A. A., compreendi que se eu apenas aceitasse o amor que tão livremente me era oferecido, tentando compartilhá-lo com outras pessoas, aprenderia a sentir-me à vontade. Para mim, este foi um maravilhoso passo à frente, que também me levou a um dos maiores presentes que A. A. me concedeu: deixei de ter medo. Toda minha vida havia sido dominada por medos - medo de pessoas, medo de situações e medo dos meus próprios desajustes. Em A. A. aprendi a ter confiança e a viver sem temores.

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