Reflexão do dia 21 de abril
CULTIVANDO A FÉ
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Tratamento do alcoolismo

Entrevista do Dr. Dráuzio Varela junto ao Dr. Ronaldo Laranjeira - médico, coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas na Escola Paulista de Medicina na Universidade Federal de São paulo e PhD em dependência química na Inglaterra.

Drauzio – É enorme o número de pessoas que bebe.

Do ponto de vista médico quando se diz que uma pessoa é alcoólatra?

Ronaldo Laranjeira – É preciso estabelecer uma distinção entre três padrões de consumo de álcool.

Há os que não têm problemas ao beber, os que fazem uso abusivo do álcool e os que são dependentes dessa substância.

Hoje está mais ou menos estabelecido que a pessoa sem problemas, se for um homem saudável, pode beber o equivalente a dois ou três copos de vinho, ou dois copos de chope ou uma dose pequena de destilado.

Em se tratando de mulheres, as doses deverão ser um pouco menores, já que elas são mais sensíveis aos danos biológicos provocados pela bebida.

Esse padrão de uso contido do álcool é o que a maioria das pessoas desenvolve.

Número substancial de pessoas, porém, faz uso nocivo do álcool, pois ocasional ou regularmente bebe acima das quantidades supracitadas.

Se numa festa, a pessoa bebe cinco copos de cerveja ou três de uísque, está ingerindo mais do que seu organismo tolera em termos de intoxicação alcoólica.

É claro que do ponto de vista biológico beber regularmente três doses de uísque ou de pinga causa impacto biológico significativo como hipertensão arterial ou doenças gástricas e hepáticas relacionadas ao consumo de álcool.

A pessoa pode não ser dependente, mas nem por isso deixa de lesar o organismo quando exagera na bebida.

Drauzio – Muitas pessoas que saem do trabalho e param no bar ou bebem costumeiramente quando chegam à casa se negam a reconhecer o problema que esse hábito representa.

Ronaldo Laranjeira – No Brasil, 13% da população masculina adulta têm problemas com álcool e dois terços desses 13% abusam de seu uso.

Bebem três doses de uísque - ou uma dose substancial que vale por três - e dizem: não sou alcoólatra porque só bebo isso e mais nada.

Drauzio – Você classificaria essas pessoas como alcoólatras?

Ronaldo Laranjeira – Não.

Tecnicamente a Organização Mundial de Saúde considera que essas pessoas fazem uso nocivo do álcool, mas não chegam a ser dependentes, porque conseguem passar alguns dias sem beber, não bebem pela manhã nem sentem necessidade premente da bebida em outros momentos.

Muitas adotam um padrão razoavelmente regular de consumo.

Às vezes, só bebem nos finais de semana, por exemplo, mas bebem grandes quantidades o que não as preserva dos efeitos nocivos físicos e comportamentais do álcool.

No Brasil, esse padrão de uso está se tornando típico dos adolescentes.

Mais expostos à cultura que valoriza e facilita o consumo de álcool do que os jovens de anos atrás, exageram nas doses nos finais de semana.

Estudos não deixam dúvida que esse aumento progressivo de consumo está diretamente relacionado com o crescimento do número de acidentes de trânsito ou domésticos e de casos de violência.

O uso nocivo do álcool sempre envolve risco: risco físico para a saúde e risco comportamental para o ambiente.

Uma sociedade complexa como a nossa não está aparelhada para proteger o indivíduo intoxicado.

Inúmeras pesquisas a respeito do assunto deixam claro o grande custo social do uso nocivo do álcool.

Vivemos numa cultura que estimula e facilita o consumo de bebidas alcoólicas.

Os anúncios publicitários passam a impressão de que álcool não faz mal.

Muitos pais dizem – meu filho só bebe, não usa drogas – como se isso não representasse motivo para preocupações.

Na realidade, se computarmos o número de acidentes e mortes causado por drogas, especialmente entre jovens, o do álcool dispara na frente de qualquer outra como o principal responsável.

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